← Blog · 22/03/2026 · 10 min de leitura

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IST na Enfermagem: O Que É o Índice de Segurança Técnica e Como Calcular

Se você já trabalhou em uma unidade de internação em que alguém faltou e simplesmente não havia ninguém para cobrir, você sentiu na pele o que acontece quando o Índice de Segurança Técnica (IST) não é respeitado. A escala fica comprometida, os profissionais remanescentes ficam sobrecarregados e a qualidade do cuidado ao paciente cai.

O IST existe justamente para evitar esse cenário. Ele é o percentual que adicionamos ao quadro de pessoal para cobrir todas as ausências previstas e não previstas — férias, feriados, licenças, faltas e afastamentos. Sem ele, qualquer cálculo de dimensionamento estará subestimado desde o início.

Neste artigo, vamos destrinchar o IST de forma prática: o que ele é, por que o mínimo de 15% quase nunca é suficiente na vida real, e como você pode calcular o índice verdadeiro da sua unidade usando dados concretos dos últimos 12 meses. Se você está preparando um projeto de dimensionamento de enfermagem, entender o IST a fundo é indispensável.

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O Que É o IST (Índice de Segurança Técnica)

O Índice de Segurança Técnica é um percentual aplicado sobre o quadro de pessoal de enfermagem para garantir a cobertura de ausências. Em termos simples, é a "gordura" necessária na escala para que, mesmo com férias, feriados, faltas e licenças, a unidade nunca opere abaixo do mínimo seguro de profissionais.

A Resolução COFEN nº 543/2017 (e suas atualizações) estabelece que o IST não deve ser inferior a 15%. Esse percentual é calculado sobre o total de pessoal necessário antes da aplicação do índice, ou seja:

Quadro Total = Pessoal calculado × (1 + IST)

O IST é composto por duas parcelas principais:

A soma dessas duas parcelas é o que forma o IST real da unidade. Note que 15% é apenas o piso mínimo — na prática, a maioria das unidades hospitalares brasileiras opera com IST real entre 20% e 35%.

Por Que 15% É o Mínimo (e Quase Nunca É Suficiente)

O piso de 15% estabelecido pela legislação foi pensado como um valor mínimo absoluto, baseado em um cenário idealizado. Veja como ele se compõe:

Composição teórica do IST mínimo de 15%

Somando: 8,22% + 3,29% + 3,49% ≈ 15%.

Agora pense na realidade do seu serviço. Quantos profissionais da sua equipe ficaram afastados por atestado médico nos últimos 12 meses? Quantas licenças maternidade ocorreram? Quantas faltas não previstas? Se você somar tudo, provavelmente chegará a um número bem acima de 3,5% de absenteísmo.

Estudos publicados na literatura brasileira de enfermagem reportam taxas de absenteísmo que variam entre 6% e 15% em unidades hospitalares, dependendo do porte e da complexidade do serviço. Quando somamos esse absenteísmo real às ausências previstas (férias e feriados), o IST facilmente ultrapassa 20%.

Usar 15% quando o real é 25% significa que você está subdimensionando em aproximadamente 8-9% do quadro. Em uma equipe de 40 profissionais, isso equivale a ter 3 a 4 pessoas a menos do que o necessário — todos os dias.

Como Calcular o IST Real da Sua Unidade

O cálculo do IST real é relativamente simples, mas exige dados. Você precisará coletar informações dos últimos 12 meses (preferencialmente) da sua unidade. Quanto mais meses de dados, mais confiável será o resultado.

Fórmula do IST

A fórmula geral é:

IST = (Total de dias de ausência no período) / (Total de dias de trabalho esperados no período) × 100

Ou, separando por componentes:

IST = Taxa de ausências previstas (%) + Taxa de ausências não previstas (%)

Passo a passo prático

1. Defina o período de análise: Idealmente, 12 meses completos. Isso captura sazonalidades (ex.: mais afastamentos no inverno por doenças respiratórias).

2. Levante o total de dias de trabalho esperados: Para cada profissional, conte os dias em que ele deveria ter trabalhado conforme a escala. Exemplo: uma equipe de 20 profissionais em regime 12×36, ao longo de 365 dias, tem aproximadamente 20 × 183 = 3.660 dias de trabalho esperados.

3. Some todas as ausências:

4. Calcule o percentual:

IST = Total de dias ausentes / Total de dias esperados × 100

Exemplo prático

Imagine uma unidade com 20 profissionais em regime de 12×36h, ao longo de 12 meses:

Total de ausências: 300 + 120 + 185 + 90 + 45 + 20 = 760 dias

IST = 760 / 3.660 × 100 = 20,77%

Neste exemplo, o IST real é de aproximadamente 21% — bem acima do mínimo de 15%. Se o gestor usasse apenas 15%, a escala ficaria sistematicamente desfalcada.

IST por Tipo de Ausência

Para facilitar a análise, é útil decompor o IST em categorias. A tabela abaixo apresenta os valores típicos encontrados em unidades hospitalares brasileiras:

Tipo de Ausência Percentual Típico Observação
Férias 8,3% 30 dias/ano — direito constitucional
Feriados 3,3% ~12 feriados nacionais/ano
Faltas previstas (folgas abonadas, etc.) 2 – 3% Varia conforme acordo coletivo
Atestados médicos curtos (<15 dias) 3 – 7% Categoria com maior variação
Licenças prolongadas (INSS, maternidade) 1 – 4% Depende do perfil da equipe
Faltas injustificadas 1 – 3% Alvo de gestão de pessoas
Outros (acidente de trabalho, júri, etc.) 0,5 – 2% Menor volume, mas imprevisível
TOTAL (faixa real) 19 – 32% Média observada: ~23%

Perceba como, mesmo nos cenários mais otimistas, o IST real dificilmente fica abaixo de 19%. Unidades com equipes predominantemente femininas, por exemplo, podem ter taxas mais altas de licença maternidade. Setores de alta complexidade, como UTIs, tendem a ter mais afastamentos por estresse e lesões ocupacionais.

Como o IST Entra no Cálculo do Dimensionamento

O IST é uma das variáveis da Constante de Marinho (KM), que é o fator multiplicador central do dimensionamento de enfermagem. A fórmula da KM é:

KM = DS × (1 + IST) / CHS

Onde:

A KM, por sua vez, é multiplicada pelo Total de Horas de Enfermagem (THE) para obter o Quadro de Pessoal (QP):

QP = THE × KM

Impacto prático: IST de 15% vs. IST de 25%

Vamos comparar usando uma unidade de internação (7 dias/semana), com profissionais em CHS de 36h:

Com IST de 15%:
KM = 7 × (1 + 0,15) / 36 = 7 × 1,15 / 36 = 8,05 / 36 = 0,2236

Com IST de 25%:
KM = 7 × (1 + 0,25) / 36 = 7 × 1,25 / 36 = 8,75 / 36 = 0,2431

Agora, suponha que o THE da unidade seja 162 horas:

A diferença é de 3 profissionais. Pode parecer pouco à primeira vista, mas são 3 profissionais a menos cobrindo ausências todos os dias, todos os turnos. Ao longo de um ano, essa diferença se traduz em centenas de turnos descobertos.

Para entender melhor como o THE é calculado e como a KM se aplica na fórmula completa, veja nosso guia completo sobre como calcular o dimensionamento de enfermagem.

Erro Comum: Usar IST de 15% Quando o Real É Maior

Esse é, sem dúvida, o erro mais frequente que encontramos nos projetos de dimensionamento. E ele acontece por motivos compreensíveis:

Por que gestores usam 15%

As consequências

Quando o IST utilizado é inferior ao real, o dimensionamento resultante é insuficiente. As consequências são diretas e graves:

Como evitar esse erro

A solução é simples em conceito, mas requer disciplina: colete os dados reais da sua unidade. Veja o passo a passo que descrevemos acima, levante o IST real e use-o no dimensionamento. Se os dados não estiverem disponíveis para 12 meses, use o máximo que conseguir (mínimo de 3 meses) e explicite essa limitação no projeto.

Se mesmo após o levantamento o IST ficar abaixo de 15%, use 15% — pois esse é o piso legal. Mas se o real for maior, use o real. A legislação do COFEN é clara: 15% é o mínimo, não o recomendado.

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