← Blog · 22/03/2026 · 14 min de leitura

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Escala de Fugulin: Guia Completo para Classificação de Pacientes (SCP)

O Sistema de Classificação de Pacientes (SCP) é a pedra fundamental do dimensionamento de pessoal de enfermagem. Sem saber quão complexos são os cuidados que cada paciente demanda, é impossível calcular com precisão quantos profissionais são necessários em uma unidade. E no Brasil, o instrumento mais utilizado para essa classificação é a Escala de Fugulin.

Se você é enfermeiro e precisa classificar pacientes para fins de dimensionamento — ou se está estudando para concursos e precisa dominar esse tema — este guia é para você. Vamos explicar cada um dos 12 indicadores, como pontuar, como interpretar o score final e como usar a classificação no cálculo do dimensionamento de enfermagem.

A classificação de pacientes não é apenas uma exigência normativa. É uma ferramenta de gestão que permite ao enfermeiro demonstrar, com dados objetivos, a carga de trabalho da equipe e argumentar tecnicamente pela adequação do quadro de pessoal.

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O que é a Escala de Fugulin

A Escala de Fugulin foi desenvolvida pela enfermeira e pesquisadora Fernanda Maria Togeiro Fugulin, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP), no final da década de 1990. O instrumento foi criado, validado e aperfeiçoado ao longo de vários estudos acadêmicos e tornou-se a referência nacional para classificação de pacientes em unidades de internação.

A escala avalia 12 áreas de cuidado (indicadores), cada uma pontuada de 1 a 4 pontos. A soma dos 12 indicadores gera um score total que varia de 12 a 48 pontos. Com base nesse score, o paciente é classificado em uma das cinco categorias de cuidado: mínimo, intermediário, alta dependência, semi-intensivo ou intensivo.

A grande vantagem da Escala de Fugulin é que ela é relativamente simples de aplicar, não exige equipamentos especiais e pode ser usada em qualquer unidade de internação. A classificação é feita pelo enfermeiro, à beira do leito, com base na avaliação clínica do paciente naquele dia.

É importante destacar que a classificação deve ser feita diariamente, pois o estado do paciente pode mudar de um dia para outro. Um paciente que ontem era "intermediário" pode hoje, após uma intercorrência, passar a "semi-intensivo". É essa dinâmica que a classificação diária captura.

Os 12 indicadores da Escala de Fugulin

Cada indicador é avaliado isoladamente, e o enfermeiro atribui a pontuação que melhor corresponde à condição do paciente naquele momento. Vamos detalhar cada um.

1. Estado Mental

Avalia o nível de consciência e orientação do paciente.

2. Oxigenação

Avalia a necessidade de suporte para manter a oxigenação adequada.

3. Sinais Vitais

Avalia a frequência necessária de monitorização dos sinais vitais.

4. Motilidade

Avalia a capacidade do paciente de movimentar-se no leito.

5. Deambulação

Avalia a capacidade do paciente de locomover-se.

6. Alimentação

Avalia o grau de dependência para alimentação.

7. Cuidado Corporal

Avalia o grau de dependência para higiene pessoal.

8. Eliminação

Avalia o grau de dependência para as eliminações fisiológicas.

9. Terapêutica

Avalia a complexidade do esquema terapêutico medicamentoso.

10. Integridade Cutâneo-Mucosa

Avalia a condição da pele e mucosas do paciente.

11. Curativo

Avalia a complexidade e frequência dos curativos necessários.

12. Tempo de Permanência

Avalia o tempo de internação do paciente na unidade, o que influencia a complexidade dos cuidados e o planejamento de alta.

Como calcular o score e classificar o paciente

Após avaliar os 12 indicadores, some todas as pontuações. O score total determinará a categoria de cuidado do paciente conforme a tabela abaixo:

Score total Categoria de cuidado Horas de enfermagem / paciente / dia
12 a 17 pontosCuidado Mínimo4 horas
18 a 22 pontosCuidado Intermediário6 horas
23 a 28 pontosAlta Dependência10 horas
29 a 34 pontosCuidado Semi-intensivo10 horas
35 a 48 pontosCuidado Intensivo18 horas

Observe que as categorias "alta dependência" e "semi-intensivo" possuem a mesma carga horária de enfermagem (10 horas), mas diferem na proporção de enfermeiros exigida: alta dependência exige no mínimo 36% de enfermeiros, enquanto semi-intensivo exige no mínimo 42%. Por isso, mesmo que as horas sejam iguais, a classificação correta é fundamental.

Para pacientes de unidades de terapia intensiva (UTI), todos são automaticamente classificados como cuidado intensivo, independentemente do score na Escala de Fugulin. Isso porque a natureza da unidade exige o nível máximo de vigilância e cuidados.

Como usar a classificação no dimensionamento

A classificação de pacientes é o primeiro passo do dimensionamento. Depois de classificar todos os pacientes da unidade durante pelo menos 90 dias consecutivos, você terá os dados necessários para calcular o quadro de pessoal. O processo funciona assim:

Passo 1: Coletar dados por 90 dias

Classifique todos os pacientes da unidade diariamente, usando a Escala de Fugulin. Registre a quantidade de pacientes em cada categoria de cuidado a cada dia. Ao final dos 90 dias, calcule a média diária de pacientes em cada categoria.

Passo 2: Calcular o Total de Horas de Enfermagem (THE)

Multiplique a média de pacientes em cada categoria pelas horas de enfermagem correspondentes e some tudo. Essa é a demanda total de horas de enfermagem que sua unidade precisa por dia. Veja o passo a passo completo em nosso guia de cálculo do dimensionamento.

Passo 3: Converter em profissionais

Use a Constante de Marinho e o Índice de Segurança Técnica (IST) para converter as horas de enfermagem em número de profissionais. Distribua entre enfermeiros e técnicos/auxiliares conforme as proporções exigidas para cada categoria de cuidado.

Dicas para aplicação correta da Escala de Fugulin

Com base na experiência de quem aplica a escala no dia a dia, reunimos algumas recomendações práticas para garantir uma classificação fidedigna:

Treine toda a equipe de enfermeiros

Todos os enfermeiros que farão a classificação devem ser treinados com o mesmo critério. A maior fonte de erro na classificação é a subjetividade — dois enfermeiros avaliando o mesmo paciente podem chegar a scores diferentes se não estiverem alinhados. Realize treinamentos periódicos e discuta casos que gerarem dúvidas.

Classifique sempre no mesmo horário

Padronize o horário da classificação. Muitos serviços fazem a classificação no período da manhã, após o banho e a avaliação de enfermagem. Isso garante consistência nos dados ao longo dos 90 dias.

Avalie o paciente como ele está HOJE

Não classifique com base no diagnóstico ou no que o paciente "provavelmente" vai precisar. Avalie a condição atual. Um paciente pós-operatório imediato pode ser intensivo hoje e intermediário amanhã. É justamente essa variação que a classificação diária deve capturar.

Na dúvida entre dois scores, escolha o maior

Se você está em dúvida se o paciente pontua 2 ou 3 em determinado indicador, opte pelo score mais alto. Subdimensionar o cuidado é mais perigoso do que superdimensionar. Essa é uma prática segura e amplamente recomendada na literatura.

Não pule nenhum indicador

Todos os 12 indicadores devem ser avaliados para cada paciente. Mesmo que um indicador pareça irrelevante para determinado paciente (ex.: curativo para um paciente sem feridas), ele ainda deve ser pontuado (1 ponto, neste caso).

Documente o registro

Mantenha um registro organizado das classificações diárias. Isso pode ser feito em planilhas, sistemas informatizados ou ferramentas especializadas. O registro é fundamental para o cálculo do dimensionamento e para eventual fiscalização do COREN.

Atenção especial com pacientes psiquiátricos e pediátricos

A Escala de Fugulin foi desenvolvida e validada para pacientes adultos em unidades de internação clínica e cirúrgica. Para pacientes psiquiátricos e pediátricos, existem adaptações e instrumentos específicos. Verifique se o instrumento é adequado para a população da sua unidade.

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Referências

A Escala de Fugulin é mais do que uma ferramenta de classificação — ela é a linguagem comum que permite ao enfermeiro traduzir a complexidade do cuidado em dados objetivos. Dominá-la é essencial para qualquer profissional que trabalhe com gestão de enfermagem e dimensionamento de pessoal. A classificação bem feita é a base de um dimensionamento confiável, e um dimensionamento confiável é a base de uma assistência segura.

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